Este Artigo é uma resposta ao Senhor Candido Mendes e o dedico a Alain Tourraine
JC e-mail 3903, de 03 de Dezembro de 2009.
24. Sobre pererecas e desenvolvimento, artigo de Alexandre Guimarães Vasconcellos e Celso Sanchez
"É triste ver que o que temos de especial para mostrar ao mundo no terceiro milênio ainda é tratado como lixo"
Alexandre Guimarães Vasconcellos e Celso Sanchez são biólogos e professores. Artigo enviado pelos autores ao "JC e-mail":
Recentemente foi noticiado pelos jornais que uma perereca rara de nome Physalaemus soaresi interrompeu a principal obra do PAC no Estado do Rio de Janeiro. Isto ocorreu porque parte dos 77 km deste fundamental empreendimento, o Arco Metropolitano, que ligará Itaboraí ao porto de Itaguaí, passaria por cima de sua única moradia nesse planeta.
Ao invés de ser um fato amplamente comemorado, por se tratar da preservação de uma espécie endêmica do nosso estado, foi duramente criticado pelo governo que se viu ultrajado pelo relatório técnico de um funcionário de quarto escalão que resultou na paralisação da obra em respeito à legislação ambiental.
Ficamos pensando por que o Brasil, com a maior riqueza em biodiversidade do mundo, recebe apenas cinco milhões de turistas por ano, enquanto a França recebe 78 milhões, a Itália 40 milhões e a Inglaterra 32 milhões.
Lemos uma reportagem sobre a construção da linha 3 do metrô de Roma, em que os arqueólogos - que vão à frente dos construtores - comentam eufóricos que encontraram algo fantástico, "um auditório romano do século II", que provavelmente atrasará por vários meses a obra do metrô, além de gerar a mudança do traçado original.
Notamos a diferença no tratamento da matéria. Enquanto no Brasil a perereca apelidada como Norminha é vista como um entrave ao desenvolvimento, lá a manchete é outra: "Obras do metrô de Roma revelam tesouros arqueológicos". A verdade é que aqui nossos tesouros são tratados como algo inoportuno, ficando evidente a cegueira diante do potencial da biodiversidade. Percebe-se neste caso que o Brasil ainda não descobriu o Brasil.
Enquanto vários quilômetros foram mantidos desocupados na Inglaterra ao redor de Stonehenge, para que o monumento pudesse ser preservado junto com sua paisagem, aqui a primeira ideia foi cercar a perereca com placas de metal, para que, uma vez confinada e finalmente esquecida ou extinta, não mais atrapalhasse os planos da estrada.
Por lá os movimentos de defesa do patrimônio são vistos como aliados dos avanços sociais e culturais e por aqui, por incrível que pareça, em pleno século XXI, os defensores do meio ambiente são vistos como ecochatos e propagadores de um nuveau richisme.
É triste ver que o que temos de especial para mostrar ao mundo no terceiro milênio ainda é tratado como lixo. Imaginem se os governantes de Roma tivessem removido uma construção velha chamada Coliseu, ou se os governantes de Piza tivessem pensado: "Esta torre já está caindo mesmo...". Será que eles teriam o volume de turistas que têm hoje?
Além da questão do turismo com foco nas riquezas da biodiversidade brasileira, não devemos esquecer que em uma espécie de nossa fauna ou flora pode estar presente a cura para alguma doença que aflige nossa população. Para exemplificar, podemos citar pesquisa divulgada pela Agência Fapesp, realizada pelo Instituto Adolfo Lutz e pelo Instituto Butantan, que identificou dois esteroides no veneno do sapo-cururu capazes de destruir o parasita causador da leishmaniose visceral.
O ser humano só tem a possibilidade de cuidar e de respeitar aquilo que faz parte de seu universo simbólico. Por isso, precisamos ensinar aos jovens brasileiros sobre os nossos tesouros materiais e imateriais. Caso a forma deles pensarem transcenda a atual, teremos algo de especial para mostrar ao mundo em 2016 e 3016.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
terça-feira, 9 de junho de 2009
Um Reflexão ou desabafo...
Este artigo é dedicado a minha amiga Merikol
Desenvolvimento sim! Mas qual desenvolvimento e para quem?
A estrada de terra que me leva a Patrimônio, um simples, pobre, mas aconchegante distrito do município de Paraty é muito esclarecedora do momento que vivemos hoje. Trata-se de um tempo de escolhas, de decisões, de pensar no agora ou no amanhã. É na verdade, uma espécie de espelho, espelho meu ou oráculo de nosso tempo.
Tive a oportunidade, dia desses, de passar por um dos novos moradores do entorno desta estrada que exige tração nas quatro rodas e tempo bom para ser vencida. Trata-se de uma criança de nove anos, Pedrinho, filho, neto, bisneto, tataraneto de pescadores caiçaras da baía da Ilha Grande e Paraty. Ele corria para sua casa, com caderno e lápis, vindo da escola há quatro kilometros dali. Lá era esperado por seus seis irmãos, seu Valdomiro, o pai e pescador renomado, dona Itelvina, mãe e responsável pela melhor moqueca caiçara feita todo domingo, com robalo e banana cozida no forno a lenha. A casa simples, de apenas três cômodos, feita em pau-a-pique revela o improviso da família que antes habitava uma ilha perto de Itaguaí. Cumprem-se seis meses desde que foram morar ali. Precisaram desocupar sua antiga casa quando o pescado sumiu, muito provavelmente por conta da construção do porto de Sepetiba, uma das mais importantes obras em andamento no país representando um dos maiores investimentos privados da ordem de cinco bilhões de dólares e que será capaz de escoar toda a produção de minério de ferro e aço da multinacional alemã que ali se instalou em parceria com a privatizada, porém enxuta e bem sucedida, Vale.
A família de seu Valdomiro é apenas uma das cerca de oito mil outras famílias de pescadores da região de Itaguaí, Sepetiba e adjacências. Muitos já se foram desde que as obras começaram, comunicam que o pescado, seu sustento, sumiu. A empresa responsável pelo porto e pelas obras contesta e afirma que serão gerados cerca de vinte mil empregos diretos e que a região se tornará em um dos grandes pólos de geração de desenvolvimento do país. Na verdade, a obra está em sintonia e é crucial para o sucesso do PAC no Estado do Rio de Janeiro. O governador do Estado e o próprio presidente da república fizeram questão de participar das comemorações desta festejada obra que tem financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social).
Aliás, é importante se dizer que vivemos um momento sui generis no desenvolvimento nacional. O PAC é certamente, uma das mais importantes propostas de desenvolvimento já vistas no país. Não se via um canteiro de obras tão copioso desde os tempos de Juscelino Kubitschek. O PAC é um esforço programado e planejado de desenvolvimento. Mesmo só tendo atingido 3% de sua meta, segundo a fala da atual chefe da casa Civil Ministra Dilma Houssef, este programa já pode ser considerado um dos grandes momentos da história do desenvolvimento de nosso país.
Os beneficiados deste desenvolvimento já podem ser reconhecidos. São corporações, empresas, bancos que se consolidam como os maiores do mundo. Além disso, o país tem atraído capital estrangeiro, grandes empresas têm lucrado aqui enquanto fecham as portas em seus países sede por conta da crise que, aliás, por aqui parece ser apenas uma marolinha. No entanto, entre os beneficiados e os que se regozijam neste momento, certamente entre eles não está Pedrinho, nem seu Valdomiro e família.
A sua ausência pouco notada é, no entanto, reveladora. Ela nos evidencia um outro lado do progresso, um lado sombrio que revê leis, princípios,valores. Um lado capaz de contrariar conquistas sociais, ambientais dos anos sessenta, setenta, um lado que se esquece dos índios, pescadores, quilombolas, miseráveis, favelados, sem terras e todo tipo de gente invisível deste país, mas que, no entanto, é a maioria e a que ainda insiste em ser a nossa brava gente brasileira.
É certo que precisamos do desenvolvimento, mas precisamos perguntar também qual desenvolvimento? Precisamos qualificá-lo, pensar no que é que estamos chamando de progresso. Qualificar o desenvolvimento significa atribuir sentido a ele, atribuir um predicado, uma destinação. Não podemos pensar apenas no desenvolvimento econômico, sem incluir as pessoas e seus ambientes. Não queremos des-envolvimento, ao contrário, precisamos envolver as pessoas, incluí-las. Isto pressupõe o respeito e reconhecimento pelos seus modos vivendi, significa respeito e consideração aos ambientes naturais. É por este viés que somos atravessados pela perspectiva da sustentabilidade, da preservação ambiental.
A região onde hoje se localiza o porto de Sepetiba era um imenso manguezal. Não podemos mais ceder a este modelo de progresso que visa o desenvolvimento econômico e que destrói nossa biodiversidade e nossa sociodiversidade, trata-se de um momento de escolhas, de decisões, se queremos um futuro melhor para nós mesmos ou para nossos filhos e netos. Naquele dia o caderno de lições que Pedrinho trazia da escola tinha uma tarefa para casa: faça uma redação sobre a importância de cuidar da natureza. Precisamos todos nós desta lição de casa.
Celso Sánchez
Artigo publicado na edição de 12 de julho do COMUNICANDIDO e no site http://uvaonline.uva.br/mkt/template_portal_uva/janela.asp?codConteudo=9008
em 12 de junho de 2009
Desenvolvimento sim! Mas qual desenvolvimento e para quem?
A estrada de terra que me leva a Patrimônio, um simples, pobre, mas aconchegante distrito do município de Paraty é muito esclarecedora do momento que vivemos hoje. Trata-se de um tempo de escolhas, de decisões, de pensar no agora ou no amanhã. É na verdade, uma espécie de espelho, espelho meu ou oráculo de nosso tempo.
Tive a oportunidade, dia desses, de passar por um dos novos moradores do entorno desta estrada que exige tração nas quatro rodas e tempo bom para ser vencida. Trata-se de uma criança de nove anos, Pedrinho, filho, neto, bisneto, tataraneto de pescadores caiçaras da baía da Ilha Grande e Paraty. Ele corria para sua casa, com caderno e lápis, vindo da escola há quatro kilometros dali. Lá era esperado por seus seis irmãos, seu Valdomiro, o pai e pescador renomado, dona Itelvina, mãe e responsável pela melhor moqueca caiçara feita todo domingo, com robalo e banana cozida no forno a lenha. A casa simples, de apenas três cômodos, feita em pau-a-pique revela o improviso da família que antes habitava uma ilha perto de Itaguaí. Cumprem-se seis meses desde que foram morar ali. Precisaram desocupar sua antiga casa quando o pescado sumiu, muito provavelmente por conta da construção do porto de Sepetiba, uma das mais importantes obras em andamento no país representando um dos maiores investimentos privados da ordem de cinco bilhões de dólares e que será capaz de escoar toda a produção de minério de ferro e aço da multinacional alemã que ali se instalou em parceria com a privatizada, porém enxuta e bem sucedida, Vale.
A família de seu Valdomiro é apenas uma das cerca de oito mil outras famílias de pescadores da região de Itaguaí, Sepetiba e adjacências. Muitos já se foram desde que as obras começaram, comunicam que o pescado, seu sustento, sumiu. A empresa responsável pelo porto e pelas obras contesta e afirma que serão gerados cerca de vinte mil empregos diretos e que a região se tornará em um dos grandes pólos de geração de desenvolvimento do país. Na verdade, a obra está em sintonia e é crucial para o sucesso do PAC no Estado do Rio de Janeiro. O governador do Estado e o próprio presidente da república fizeram questão de participar das comemorações desta festejada obra que tem financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social).
Aliás, é importante se dizer que vivemos um momento sui generis no desenvolvimento nacional. O PAC é certamente, uma das mais importantes propostas de desenvolvimento já vistas no país. Não se via um canteiro de obras tão copioso desde os tempos de Juscelino Kubitschek. O PAC é um esforço programado e planejado de desenvolvimento. Mesmo só tendo atingido 3% de sua meta, segundo a fala da atual chefe da casa Civil Ministra Dilma Houssef, este programa já pode ser considerado um dos grandes momentos da história do desenvolvimento de nosso país.
Os beneficiados deste desenvolvimento já podem ser reconhecidos. São corporações, empresas, bancos que se consolidam como os maiores do mundo. Além disso, o país tem atraído capital estrangeiro, grandes empresas têm lucrado aqui enquanto fecham as portas em seus países sede por conta da crise que, aliás, por aqui parece ser apenas uma marolinha. No entanto, entre os beneficiados e os que se regozijam neste momento, certamente entre eles não está Pedrinho, nem seu Valdomiro e família.
A sua ausência pouco notada é, no entanto, reveladora. Ela nos evidencia um outro lado do progresso, um lado sombrio que revê leis, princípios,valores. Um lado capaz de contrariar conquistas sociais, ambientais dos anos sessenta, setenta, um lado que se esquece dos índios, pescadores, quilombolas, miseráveis, favelados, sem terras e todo tipo de gente invisível deste país, mas que, no entanto, é a maioria e a que ainda insiste em ser a nossa brava gente brasileira.
É certo que precisamos do desenvolvimento, mas precisamos perguntar também qual desenvolvimento? Precisamos qualificá-lo, pensar no que é que estamos chamando de progresso. Qualificar o desenvolvimento significa atribuir sentido a ele, atribuir um predicado, uma destinação. Não podemos pensar apenas no desenvolvimento econômico, sem incluir as pessoas e seus ambientes. Não queremos des-envolvimento, ao contrário, precisamos envolver as pessoas, incluí-las. Isto pressupõe o respeito e reconhecimento pelos seus modos vivendi, significa respeito e consideração aos ambientes naturais. É por este viés que somos atravessados pela perspectiva da sustentabilidade, da preservação ambiental.
A região onde hoje se localiza o porto de Sepetiba era um imenso manguezal. Não podemos mais ceder a este modelo de progresso que visa o desenvolvimento econômico e que destrói nossa biodiversidade e nossa sociodiversidade, trata-se de um momento de escolhas, de decisões, se queremos um futuro melhor para nós mesmos ou para nossos filhos e netos. Naquele dia o caderno de lições que Pedrinho trazia da escola tinha uma tarefa para casa: faça uma redação sobre a importância de cuidar da natureza. Precisamos todos nós desta lição de casa.
Celso Sánchez
Artigo publicado na edição de 12 de julho do COMUNICANDIDO e no site http://uvaonline.uva.br/mkt/template_portal_uva/janela.asp?codConteudo=9008
em 12 de junho de 2009
sábado, 24 de março de 2007
Dia da Água - Economize suas Lágrimas!
Artigo publicado hoje no JB
A água é um bem precioso que ocupa três quartos do nosso planeta e, em mesma proporção, o corpo humano. Nosso país privilegiado possui cerca de 11,6% da água doce superficial do mundo, mesmo assim cerca de 70% dela está na região amazônica e os 30% restantes estão disponíveis de forma profundamente desigual para cerca de 90% da população nacional concentrada no Sul-Sudeste. Precisamos de água para beber, para mover a indústria e a irrigação e, para nossa desolação, transformamos a água pura dos rios e lagoas em grandes esgotos a céu aberto que irão custar tempo, dinheiro e esforço para serem saneados em um futuro a perder de vista. Em poucas décadas, de recurso natural abundante, a água transformou-se em commodity, em recurso escasso com valor de mercado afetando principalmente os países pobres, mas também os ricos.Tal cenário agravou-se com a evolução da questão climática que, como resume Al Gore, criou uma “colisão colossal, sem precedentes, entre a nossa civilização e o planeta Terra”. 3,2 bilhões de pessoas enfrentarão escassez de água, diz o novo relatório do IPCC. Segundo o consultor científico do Reino Unido, Sir David King, os mapas-múndi terão que ser redesenhados pois a água dos oceanos está subindo e as geleiras derretendo. Muitos países-ilhas vão desaparecer e, no litoral brasileiro, vinte pontos serão gravemente atingidos, especialmente a Região Metropolitana do Rio de Janeiro e de Recife. No Dia Mundial da Água cabe alertar para o fato de que uma das áreas mais afetadas pelas mudanças climáticas é a dos recursos hídricos, com a alteração radical do regime de chuvas, ora sujeito a inundações, calamidades e desastres que irão atingir os pobres urbanos, ora sujeito a longos períodos de secas que transformariam o Nordeste em área desértica. Diversos rios na Amazônia estão fadados a desaparecer e parte da região vai se converter em um cerrado ralo. Da mesma forma será afetado o abastecimento de águas da região Sudeste. Este é o quadro desolador anunciado pelo Relatório Stern que será anunciado no próximo mês e ao qual nossos políticos não parecem atribuir nenhuma importância. O Plano Nacional de Recursos Hídricos, que acaba de ser elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente, sequer menciona o tema que vai abalar nossas vidas nos próximos cinqüenta a cem anos. Triste do país governado por políticos desnorteados e dissociados das grandes questões que redirecionam o mundo! Nossas elites precisam ter a coragem de tomar decisões importantes e transformadoras, mudando o modelo energético e os padrões de consumo .
O atípico verão de 2007 iniciou-se com intensas chuvas, seguido de quase um mês seco e de intenso calor com belos dias ensolarados. Já paira no senso comum a percepção de que o clima mudou. A população está se dando conta do quanto a devastação ambiental afeta sua qualidade de vida. Assuntos e debates sobre temas ambientais, antes restritos aos rincões acadêmicos, hoje ganham as ruas sob a influência de uma mídia cada vez mais atenta. Muitos acreditam que a natureza está se vingando e que precisamos repensar certos hábitos cotidianos que levam ao desperdício. Estamos vivendo em um ponto de mutação a partir do qual a temática ambiental é uma questão de contabilidade e se converte, cada vez mais, em reivindicação social. No Dia da Água há pouco o que comemorar a não ser com lágrimas. A água é um recurso estratégico na nossa governabilidade. É surpreendente receber um Programa de Aceleração do Crescimento em que as metas ambientais não estão definidas nem ocupam um lugar central de destaque no planejamento do país. Como podemos ser liderança internacional em bioenergia, biocombustíveis e biotecnologia sem contabilizar o suprimento e os gastos com a água? Comemorou-se por estes dias, a retomada do agronegócio e da soja, sem medir o preço embutido da água em cada grão de soja exportado para outros países. Fala-se em transposição do Velho Chico que agoniza de sede em uma região que se desertifica. Fomenta-se a construção de grandes barragens e hidrelétricas, desperdiça-se água demais nos prédios, nas casas, nas calçadas. Os recursos naturais são interdependentes. Não podemos proteger a água sem cuidar das matas ciliares, das nascentes dos rios, e das florestas que os abrigam e os fazem crescer. Temos sede, muita sede de transformação.
Aspásia Camargo, socióloga e vereadora, professora da EBAPE, FGV e Celso Sánchez, biólogo, Professor do IAVM/UVA
Presidente da ONG BIOética
www.ongbioetica.org.br
celsosanchez@pop.com.br
A água é um bem precioso que ocupa três quartos do nosso planeta e, em mesma proporção, o corpo humano. Nosso país privilegiado possui cerca de 11,6% da água doce superficial do mundo, mesmo assim cerca de 70% dela está na região amazônica e os 30% restantes estão disponíveis de forma profundamente desigual para cerca de 90% da população nacional concentrada no Sul-Sudeste. Precisamos de água para beber, para mover a indústria e a irrigação e, para nossa desolação, transformamos a água pura dos rios e lagoas em grandes esgotos a céu aberto que irão custar tempo, dinheiro e esforço para serem saneados em um futuro a perder de vista. Em poucas décadas, de recurso natural abundante, a água transformou-se em commodity, em recurso escasso com valor de mercado afetando principalmente os países pobres, mas também os ricos.Tal cenário agravou-se com a evolução da questão climática que, como resume Al Gore, criou uma “colisão colossal, sem precedentes, entre a nossa civilização e o planeta Terra”. 3,2 bilhões de pessoas enfrentarão escassez de água, diz o novo relatório do IPCC. Segundo o consultor científico do Reino Unido, Sir David King, os mapas-múndi terão que ser redesenhados pois a água dos oceanos está subindo e as geleiras derretendo. Muitos países-ilhas vão desaparecer e, no litoral brasileiro, vinte pontos serão gravemente atingidos, especialmente a Região Metropolitana do Rio de Janeiro e de Recife. No Dia Mundial da Água cabe alertar para o fato de que uma das áreas mais afetadas pelas mudanças climáticas é a dos recursos hídricos, com a alteração radical do regime de chuvas, ora sujeito a inundações, calamidades e desastres que irão atingir os pobres urbanos, ora sujeito a longos períodos de secas que transformariam o Nordeste em área desértica. Diversos rios na Amazônia estão fadados a desaparecer e parte da região vai se converter em um cerrado ralo. Da mesma forma será afetado o abastecimento de águas da região Sudeste. Este é o quadro desolador anunciado pelo Relatório Stern que será anunciado no próximo mês e ao qual nossos políticos não parecem atribuir nenhuma importância. O Plano Nacional de Recursos Hídricos, que acaba de ser elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente, sequer menciona o tema que vai abalar nossas vidas nos próximos cinqüenta a cem anos. Triste do país governado por políticos desnorteados e dissociados das grandes questões que redirecionam o mundo! Nossas elites precisam ter a coragem de tomar decisões importantes e transformadoras, mudando o modelo energético e os padrões de consumo .
O atípico verão de 2007 iniciou-se com intensas chuvas, seguido de quase um mês seco e de intenso calor com belos dias ensolarados. Já paira no senso comum a percepção de que o clima mudou. A população está se dando conta do quanto a devastação ambiental afeta sua qualidade de vida. Assuntos e debates sobre temas ambientais, antes restritos aos rincões acadêmicos, hoje ganham as ruas sob a influência de uma mídia cada vez mais atenta. Muitos acreditam que a natureza está se vingando e que precisamos repensar certos hábitos cotidianos que levam ao desperdício. Estamos vivendo em um ponto de mutação a partir do qual a temática ambiental é uma questão de contabilidade e se converte, cada vez mais, em reivindicação social. No Dia da Água há pouco o que comemorar a não ser com lágrimas. A água é um recurso estratégico na nossa governabilidade. É surpreendente receber um Programa de Aceleração do Crescimento em que as metas ambientais não estão definidas nem ocupam um lugar central de destaque no planejamento do país. Como podemos ser liderança internacional em bioenergia, biocombustíveis e biotecnologia sem contabilizar o suprimento e os gastos com a água? Comemorou-se por estes dias, a retomada do agronegócio e da soja, sem medir o preço embutido da água em cada grão de soja exportado para outros países. Fala-se em transposição do Velho Chico que agoniza de sede em uma região que se desertifica. Fomenta-se a construção de grandes barragens e hidrelétricas, desperdiça-se água demais nos prédios, nas casas, nas calçadas. Os recursos naturais são interdependentes. Não podemos proteger a água sem cuidar das matas ciliares, das nascentes dos rios, e das florestas que os abrigam e os fazem crescer. Temos sede, muita sede de transformação.
Aspásia Camargo, socióloga e vereadora, professora da EBAPE, FGV e Celso Sánchez, biólogo, Professor do IAVM/UVA
Presidente da ONG BIOética
www.ongbioetica.org.br
celsosanchez@pop.com.br
quarta-feira, 14 de março de 2007
Fala Sério!!!!!!
Agora que já está assim, só nos resta acompanhar de perto! Vamos ficar atentos!!!
Notícia veiculada hoje:
Congresso Nacional cria comissão para debater aquecimento global
O aquecimento global e seus efeitos sobre o clima serão discutidos uma comissão mista do Congresso Nacional, instituída nesta terça-feira (13). A princípio, ela será formada por sete deputados e sete senadores.
O relator da comissão, senador Renato Casagrande (PSB-ES), pretende conversar nesta quarta-feira (14) com o presidente da comissão de Relações Exteriores, Heráclito Fortes (PFL-PI), e de Meio Ambiente, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), que já debatem estes temas no Senado, para que concentrem os trabalhos na comissão mista.Para tanto, o senador do PSB defende a ampliação de sete para 11 no número de parlamentares que integrarão a comissão mista.
Em reunião nesta terça, foram eleitos o presidente, o vice-presidente, respectivamente, o deputado Eduardo Gomes (PSDB -TO) e o senador Fernando Collor (PTB-AL). O encontro também elegeu Casagrande como relator.
Ainda na reunião, foi aprovado o requerimento de Collor que sugere ao governo federal tomar a iniciativa de promover, em 2012, no Rio de Janeiro, a 3ª Conferência Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio+20). Nesta data, os países que assinaram a Agenda 21 - documento de compromissos assumidos pelos signatários da 1ª Conferência Mundial de Meio Ambiente, a chamada Rio 92 - deverão apresentar o desempenho das metas assumidas há 15 anos.
Na avaliação de Collor, os países "relaxaram no cumprimento deste dever de casa". Segundo ele, a "simples assinatura" da Agenda 21 fez com que os signatários considerassem como "missão cumprida" os compromissos de reduzir a emissão de gases poluentes que causam o chamado efeito estufa e, por conseqüência, o aquecimento do planeta.
"O presidente norte-americano (George W. Bush) esteve aqui e não foi assinada nenhuma declaração conjunta que fale no meio ambiente. Parece que as pessoas ainda não estão acordadas para a gravidade do problema", ressaltou.
Na reunião marcada para a próxima terça-feira (20), o senador Casagrande pretende apresentar à comissão requerimentos de convite aos ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e do Meio Ambiente, Marina Silva, para explicar as ações do Executivo diante dos problemas já enfrentados pelo Brasil por causa do aumento da temperatura do planeta.
O senador não descarta a possibilidade de ações do PAC - Programa de Aceleração do Crescimento que envolvam questões ambientais sejam modificadas ou até vetadas pelo Congresso Nacional.
"Se algumas ações do PAC estiverem contrárias ao que nós entendemos que seja benéfico à sociedade brasileira em termos de preservação do meio ambiente e de redução da emissão de gases que causam o efeito estufa, poderemos sugerir alterações e nos manifestar contrários a algumas transações do governo", disse, acrescentando que esta é uma postura "normal e legítima" do parlamento.
O presidente da Frente Parlamentar pelo Meio Ambiente, deputado Sarney Filho (PV-MA), ressaltou que a discussão sobre o aquecimento global deixou de ser teórica para fazer parte de um problema que "bate à porta" de todos os países. Ele lembrou que os últimos 10 anos foram os mais quentes já registrados.
Nesse sentido, o deputado ressaltou a responsabilidade brasileira no aquecimento do planeta. "Somos o quarto país que mais emite gases causadores do efeito estufa". No caso brasileiro, acrescentou Sarney Filho, a maior parte dessas emissões não vem das indústrias, mas das queimadas produzidas na Amazônia.
"O Brasil precisa cumprir a lei. Reduzir o desmatamento em todos os biomas, principalmente na floresta Amazônica, que é o nosso calcanhar de Aquiles", disse. "Não precisamos mudar nossa matriz energética, nem parar o processo de industrialização. Quando se fala em PAC, e eu não sou contra, é preciso pensar em cenários futuros com relação a alguns projetos como a construção de hidrelétricas na Amazônia. Será que estes rios, no futuro, continuarão perenes?".
Fonte: Ambiente Brasil (www.ambientebrasil.com.br)
Notícia veiculada hoje:
Congresso Nacional cria comissão para debater aquecimento global
O aquecimento global e seus efeitos sobre o clima serão discutidos uma comissão mista do Congresso Nacional, instituída nesta terça-feira (13). A princípio, ela será formada por sete deputados e sete senadores.
O relator da comissão, senador Renato Casagrande (PSB-ES), pretende conversar nesta quarta-feira (14) com o presidente da comissão de Relações Exteriores, Heráclito Fortes (PFL-PI), e de Meio Ambiente, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), que já debatem estes temas no Senado, para que concentrem os trabalhos na comissão mista.Para tanto, o senador do PSB defende a ampliação de sete para 11 no número de parlamentares que integrarão a comissão mista.
Em reunião nesta terça, foram eleitos o presidente, o vice-presidente, respectivamente, o deputado Eduardo Gomes (PSDB -TO) e o senador Fernando Collor (PTB-AL). O encontro também elegeu Casagrande como relator.
Ainda na reunião, foi aprovado o requerimento de Collor que sugere ao governo federal tomar a iniciativa de promover, em 2012, no Rio de Janeiro, a 3ª Conferência Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio+20). Nesta data, os países que assinaram a Agenda 21 - documento de compromissos assumidos pelos signatários da 1ª Conferência Mundial de Meio Ambiente, a chamada Rio 92 - deverão apresentar o desempenho das metas assumidas há 15 anos.
Na avaliação de Collor, os países "relaxaram no cumprimento deste dever de casa". Segundo ele, a "simples assinatura" da Agenda 21 fez com que os signatários considerassem como "missão cumprida" os compromissos de reduzir a emissão de gases poluentes que causam o chamado efeito estufa e, por conseqüência, o aquecimento do planeta.
"O presidente norte-americano (George W. Bush) esteve aqui e não foi assinada nenhuma declaração conjunta que fale no meio ambiente. Parece que as pessoas ainda não estão acordadas para a gravidade do problema", ressaltou.
Na reunião marcada para a próxima terça-feira (20), o senador Casagrande pretende apresentar à comissão requerimentos de convite aos ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e do Meio Ambiente, Marina Silva, para explicar as ações do Executivo diante dos problemas já enfrentados pelo Brasil por causa do aumento da temperatura do planeta.
O senador não descarta a possibilidade de ações do PAC - Programa de Aceleração do Crescimento que envolvam questões ambientais sejam modificadas ou até vetadas pelo Congresso Nacional.
"Se algumas ações do PAC estiverem contrárias ao que nós entendemos que seja benéfico à sociedade brasileira em termos de preservação do meio ambiente e de redução da emissão de gases que causam o efeito estufa, poderemos sugerir alterações e nos manifestar contrários a algumas transações do governo", disse, acrescentando que esta é uma postura "normal e legítima" do parlamento.
O presidente da Frente Parlamentar pelo Meio Ambiente, deputado Sarney Filho (PV-MA), ressaltou que a discussão sobre o aquecimento global deixou de ser teórica para fazer parte de um problema que "bate à porta" de todos os países. Ele lembrou que os últimos 10 anos foram os mais quentes já registrados.
Nesse sentido, o deputado ressaltou a responsabilidade brasileira no aquecimento do planeta. "Somos o quarto país que mais emite gases causadores do efeito estufa". No caso brasileiro, acrescentou Sarney Filho, a maior parte dessas emissões não vem das indústrias, mas das queimadas produzidas na Amazônia.
"O Brasil precisa cumprir a lei. Reduzir o desmatamento em todos os biomas, principalmente na floresta Amazônica, que é o nosso calcanhar de Aquiles", disse. "Não precisamos mudar nossa matriz energética, nem parar o processo de industrialização. Quando se fala em PAC, e eu não sou contra, é preciso pensar em cenários futuros com relação a alguns projetos como a construção de hidrelétricas na Amazônia. Será que estes rios, no futuro, continuarão perenes?".
Fonte: Ambiente Brasil (www.ambientebrasil.com.br)
Sustentabilidade Liquefeita
O desafio da sustentabiliade passa essencialmente pelas pessoas. Ao contrário do que muitos especialistas crêem, não aposto todas as minhas fichas de sobrevivência na tecnologia. Nos MDL estão sm dúvida várias alternativas, mas não as encaro como suficientes. Não creio ser possível fazer este país crescer sem pensar na necesidade de nos preparamos para a mudança concreta de hábitos atitudes pessoais com relação a questão ambiental. Por isso estas letras. Desejo ver um dia o Ministro do Planejamento, ou o presidente do Banco Central, fazerem pronuciamentos em cadeia nacional, solicitando às pessoas mais prudência no trato com a água, por exemplo. Desejo ver como manchete uma reunião interministerial entre o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Fazenda, onde cordialmente, discutam propostas para o Ministério da Integração Nacional, propondo argumento técnicos contra a transposição do Velho Chico.
Bem, manifesto estes desejos apenas para exemplificar o quanto parace dificil o caminho da mudança, o quanto temos que mudar como pessoas para dar conta do desafio ambiental. Será que estas pessoas, autoridades de todos os escalões, estão dispostas a estas mudanças? Analisado a questão, imeditamete penso que a perspectiva ambiental nos trouxe a necessidade de refletirmos sobre valores. Valores pessoais: ganância, arrogância, prepotência, vaidade, etc. Aí neste bojo surge outra questão: como pensar na sustentabilidade global sem uma mudança interna profunda. Parafraseando Aldo Leopoldo, grande ambientalista norte americano, não há ecologia para fora que não venha de dentro.
No caso brasileiro penso que nossa mudança deve ser ainda mais radical, somos um país arraigado a estruturas de pensamento profundamente preconceituosas, racistas, ainda preso as suas oligarquias e elites que continuam a ter acesso privilegiado à informação, à formação, portanto à escola e à universidade e etc. No entanto, a sustentabilidade repousa em aprendermos a ouvir, ver e sentir, experências há muito, gestadas no seio de nosso povo, logo o povo mais simples, mais humilde e mais excluído e desacreditado: povos tradicionais, jangadeiros, caiçaras, quilombolas; povos indígenas, comunidades periféricas, etc. Todas esta gentes, têm, em geral, muitas experiências de sustentabilidade, de relação harmônica com a natureza. Os Guarani Mby'a por exemplo, que tenho o privilégio de conhecer, conviver e ter amigos, conhecem tudo de agroecologia, de meteorologia, de como aproveitar a Mata Atlântia como moradia.
Nestes tempos, estas informações nos são deveras úteis, mas estaremos preparados para ouví-las, para sentí-las?
Bem, manifesto estes desejos apenas para exemplificar o quanto parace dificil o caminho da mudança, o quanto temos que mudar como pessoas para dar conta do desafio ambiental. Será que estas pessoas, autoridades de todos os escalões, estão dispostas a estas mudanças? Analisado a questão, imeditamete penso que a perspectiva ambiental nos trouxe a necessidade de refletirmos sobre valores. Valores pessoais: ganância, arrogância, prepotência, vaidade, etc. Aí neste bojo surge outra questão: como pensar na sustentabilidade global sem uma mudança interna profunda. Parafraseando Aldo Leopoldo, grande ambientalista norte americano, não há ecologia para fora que não venha de dentro.
No caso brasileiro penso que nossa mudança deve ser ainda mais radical, somos um país arraigado a estruturas de pensamento profundamente preconceituosas, racistas, ainda preso as suas oligarquias e elites que continuam a ter acesso privilegiado à informação, à formação, portanto à escola e à universidade e etc. No entanto, a sustentabilidade repousa em aprendermos a ouvir, ver e sentir, experências há muito, gestadas no seio de nosso povo, logo o povo mais simples, mais humilde e mais excluído e desacreditado: povos tradicionais, jangadeiros, caiçaras, quilombolas; povos indígenas, comunidades periféricas, etc. Todas esta gentes, têm, em geral, muitas experiências de sustentabilidade, de relação harmônica com a natureza. Os Guarani Mby'a por exemplo, que tenho o privilégio de conhecer, conviver e ter amigos, conhecem tudo de agroecologia, de meteorologia, de como aproveitar a Mata Atlântia como moradia.
Nestes tempos, estas informações nos são deveras úteis, mas estaremos preparados para ouví-las, para sentí-las?
sábado, 10 de março de 2007
Brasil à álcool!!!
Não há dúvidas quanto aos benefícios que o etanol pode trazer ao meio ambiente, seja como "biocombustível", seja como insumo para vários setores produtivos. Tenho certeza que esta tecnologia pode ser uma alavanca para o desenvolvimento nacional. Porém a velha questão permanece: que desenvolvimento?
O Brasil precisa crescer, no entanto é necessária prudência, sob pena de não termos um crescimento de fato sustentado e sustentável. O desenvolvimento antes de mais nada deve ser de todos e para todos, não podemos pensar num PAC sem Sustentabilidade, o que queremos é um Plano de Aceleração do Crescimento Sustentável (PACS).
Infelizmente estamos longe disto, muito longe. Hoje, quando celebramos o dia mais quente do ano, batendo recordes de calor por conta do aquecimento global, vejo estarrecido nos jornais
produtores de cana de açucar pregarem, como ambientalistas, a salvação do planeta. Hipócritas. Cegos de ganância, incorporaram o discurso ambientalista como seu. Os mais novos "defensores da terra" são os mesmos que desmatam imensas áreas verdes para plantar cana de açucar. As mesmas famílias e outras novas oligarquias cegas e estúpidas que destróem o cerrado, o pantanal,a amazônia, a mata atlântica do norte de nosso estado. Celebram seu desenvolvimento, enquanto "sem terras" legítimos e falsos se multiplicam e viram sem teto e alguns, sem pudor.
Hoje, dia de luto, celebrou-se o recorde da produção de soja, a mesma que consome este país que quer ser ponta em tecnologias sustentáveis que vão ajudar o planeta terra!
É preciso uma urgente mobilização da sociedade civil e da banda boa do Governo para impedir a "república dos hipócritas", sob pena de perdermos a real possibilidade de exercermos a liderança estratégica do desenvolvimento sustentável internacional. Etanol sim, mas responsável, solidário e sustentável. Paro e penso que precisamos de um Plano de Aceleração da Consciência.
O Brasil precisa crescer, no entanto é necessária prudência, sob pena de não termos um crescimento de fato sustentado e sustentável. O desenvolvimento antes de mais nada deve ser de todos e para todos, não podemos pensar num PAC sem Sustentabilidade, o que queremos é um Plano de Aceleração do Crescimento Sustentável (PACS).
Infelizmente estamos longe disto, muito longe. Hoje, quando celebramos o dia mais quente do ano, batendo recordes de calor por conta do aquecimento global, vejo estarrecido nos jornais
produtores de cana de açucar pregarem, como ambientalistas, a salvação do planeta. Hipócritas. Cegos de ganância, incorporaram o discurso ambientalista como seu. Os mais novos "defensores da terra" são os mesmos que desmatam imensas áreas verdes para plantar cana de açucar. As mesmas famílias e outras novas oligarquias cegas e estúpidas que destróem o cerrado, o pantanal,a amazônia, a mata atlântica do norte de nosso estado. Celebram seu desenvolvimento, enquanto "sem terras" legítimos e falsos se multiplicam e viram sem teto e alguns, sem pudor.
Hoje, dia de luto, celebrou-se o recorde da produção de soja, a mesma que consome este país que quer ser ponta em tecnologias sustentáveis que vão ajudar o planeta terra!
É preciso uma urgente mobilização da sociedade civil e da banda boa do Governo para impedir a "república dos hipócritas", sob pena de perdermos a real possibilidade de exercermos a liderança estratégica do desenvolvimento sustentável internacional. Etanol sim, mas responsável, solidário e sustentável. Paro e penso que precisamos de um Plano de Aceleração da Consciência.
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